quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Dama despida.


Jamais fui homem.
Jamais soube sê-lo.
Não fui homem para ter-te em meus braços.
Viestes mulher.
Tua beleza desalmada repousou em meu âmago, pediu ajuda.
Eu também a precisava.
Meus vinhos não são para o teu paladar.
Minhas rosas não são para cheirar.
Espelhos eu te dei amada, eu quis amar-te.
Sorri teus desconcertos, tuas falhas.
Diziam-me que tudo bem não ser perfeito.
Diziam-me porém que era melhor.
Dama despida, de alma, tua beleza cansada não cabe em meus braços.
Tua alma repousa azul num rochedo na costa do mar.
Tua infância e tua pátria hão de guiar-te em tua jornada de regresso.
O pó dos teus ombros dificultam-me o respirar.
Sou feito de poeira como tu e desabo sempre um pouco.
Abra-te teu caminho porque eu não sou homem para fazê-lo por ti, fria dama.
Nunca senti desprezo maior por quaisquer fraquezas.
As tuas me ardem os olhos, as tuas tão minhas fraquezas.
Quis-te forte como homem que eu não soube ser.
Não pude ter-te em meus trapos, linda dama.
Meus trapos buscam braços brutos para tecer a mais fina seda.
Eu não soube amar-te.
Estavas despida, bela dama cansada, de alma.
Meu amor não te soube.
Meu amor não te coube.
Meu amor não te pôde.
Meu amor não te ouve.
Meu amor não te.
Meu amor.
Meu.

Amor.